A um ti que eu inventei

Fevereiro 19, 2007

Pensar em ti é coisa delicada.

É um diluir de tinta espessa e farta

e o passá-la em finissíma aguada

com um pincel de marta.

Um pesar grãos de nada em mínima balança,

um armar de arames cauteloso e atento,

um proteger a chama contra o vento,

pentear cabelinhos de criança.

Um desembaraçar de linhas de costura,

um correr sobre lã que ninguém saiba e oiça,

um planar de gaivota como um lábio a sorrir.

Penso em ti com tamanha ternura

como se fosses vidro ou película de loiça

que apenas com o pensar te pudesse partir.

 ao grande António Gedeão

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